De volta… Continuação (2)
Este tempo caótico, no que toca às comunicações, tem um rei: Sua Majestade, o Protocolo IP. É ele que abre novas estradas para que os dados circulem a velocidade, potência e capacidade suficientes para mudar o jogo. Tanto assim que o Rei IPv4 já fez um sucessor – o IPv6. Com esta dinastia florescente, a internet é capaz de fazer tudo e mais um pouco (não, muito mais) do que fazem as redes de telecomunicações e de broadcast tradicionais. Acrescente-se à nova dinastia a mobilidade, e temos um mundo realmente novo, sobretudo para o usuário, que passa a deter o poder sobre uma miríade de formas de se comunicar, na sua vida profissional e pessoal. Esta constatação deveria ser suficiente para garantir um mundo novo. Mas não é o que ocorre.
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Embora institutos de pesquisa abalizados e os fornecedores de plataformas e serviços para este novo ambiente se esmerem em demonstrar as capacidades quase infinitas da dobradinha IP + mobilidade (o que vai de backhauls mais poderosos ao compartilhamento nas redes sociais); e, apesar de os próprios players deste heterogêneo ecossistema ter aparentemente se rendido à nova realidade e, também de forma aparente, coloquem seus reinos à disposição do novo monarca, o que existe de fato é uma guerra surda e inclemente para a defesa de suas posições.
Camuflada com desculpas como dificuldade na obtenção de receitas, obstáculos na formação de alianças, barreiras de adoção neste ou naquele mercado etc., a resistência ao domínio do protocolo IP se mantém acirrada. Por quê? Um esclarecido consultor da área de telecom me confidenciou uma destas razões:
“Quando o comandante não sabe o que fazer, melhor do que assumir o comando é tentar manietar os que lá estão. Todos acham que podem levar alguma vantagem para si e não há mais um pensamento para o bem comum. Os assinantes são os coadjuvantes chatos que reclamam do script”, foi o que ele me disse, ‘in private’.
Também pipoca aqui e ali discursos díspares: de forma ‘oficial’ ilustres representantes do ecossistema de telecom e broadcast apontam as fraquezas das plataformas que incentivam o compartilhamento via redes sociais. Mas, na intimidade, fazem uso constante destas mesmas plataformas.
O fato é que o mundo governado pela dinastia IP aponta com boas receitas para muitos dos nele envolvidos. Segundo o Visual Networking Index (VNI), da Cisco, por exemplo, no período 2009-2014, o tráfego global da internet irá aumentar mais do que quatro vezes, para 767 exabytes, ou mais do que três quartos de uma Zettabyte, até 2014. Esta quantidade é 100 exabytes maior do que o nível previsto para 2013, ou um aumento equivalente a 10 vezes todo o tráfego das redes de Protocolo de Internet em 2008.
O crescimento do tráfego deve continuar a ser dominado pelo vídeo, ultrapassando 91% do tráfego de IP global de consumidores até 2014. As melhorias de capacidade de largura de banda das redes e das velocidades de Internet, juntamente com o aumento da popularidade da HDTV e 3DTV, são fatores principais para a prevista quadruplicação do tráfego de IP de
Você, que leu os dois parágrafos acima, conseguiu absorver a quantidade de bytes em jogo? E reparou que será o vídeo a dominar as aplicações? Isto chega a ser meio óbvio, não é? Meios de nos comunicarmos por voz já existem o suficiente. É claro que preferiremos numa viagem de trabalho, por exemplo, nos comunicarmos com nossos entes queridos em 3D a, meramente, ouvirmos as vozes que nos são tão caras. Transpostas para o mundo dos negócios, as vantagens são incontáveis… E a capacidade de obtenção de receitas também.
Neste artigo é possível ver que o protocolo IP (sobretudo na versão 6, já que a quarta versão está à beira de um colapso, tamanho é o volume de endereços que gerencia) é a chave dos principais ‘negócios de próxima geração’. Da gestão ecológica da distribuição de energia elétrica e das novas redes para serviços móveis, passando pela gestão de banda larga, a dinastia IP abre espaço para novas funcionalidades, novos softwares e novas estratégias… E novos players, que emergem para atender os tradicionais, como carriers e broadcasters. Sim, isto é inegável: Os atuais líderes das comunicações (proprietários das imensas espinhas dorsais reais e virtuais via satélites, cabos e torres) são clientes chaves dos novos serviços. E aí mais uma vez cabe o axioma do consultor a que me referi e que insisto em manter anônimo: os atuais líderes sabem que são peças chaves, mas que não serão os únicos a deter o comando deste novo reino… Daí a resistência férrea.
Assim questões crucias como a Internet das Coisas (ou comunicação máquina a máquina – M2M) ou a própria adoção imediata do IPv6 – do qual o M2M depende - são postergadas de maneira perigosa, se o que se quer é boa saúde do ecossistema e sua plena capacidade de absorver as tecnologias.
Farto material referente ao IPv6 pode ser encontrado aqui. Idem no tocante ao M2M, aqui e aqui. Sobre negócios em telecom, aqui. Sobre Broadcast e 3D, aqui e aqui
Observação: Este material em capítulos está sendo retirado de outro, mais completo, produzido para uma série de aulas para o Instituto de Estudos de TV (IETV), do Rio de Janeiro. O público visado – leigos em telecom, com uma série de perguntas do tipo: “Não precisa explicar. Eu só queria entender…”. … Continua…

