Blotheco » Internet: debater é preciso
O Blog da Comunidade Thesis

November 17, 2009

Internet: debater é preciso

Filed under: Notícias — Jana de Paula @ 1:34 pm

webgovernance2.jpgA importância da banda larga na ordem econômica e social do planeta pode ser medida pela simultaneidade de importantes eventos que debatem seus desdobramentos. No Egito, acontece o IGF 2009, onde questões de evolução tecnológica e disseminação da internet no mundo são debatidas por organizações como UIT, ICANN, ONU, OECD e WSIS. No próprio ciberespaço segue de vento em popa o IV Congresso da Cibersociedade 2009, que se aproveita da própria internet e das redes sociais para apresentar soluções à crise mundial a partir das novas tecnologias digitais. Por mais 13 dias, cientistas, estudiosos, estudantes das áreas de cultura, ciência & tecnologia, educação, comunicações etc. debaterão e apresentarão estudos inéditos ou não sobre alternativas de inclusão digital, Web 2.0, sociedade do conhecimento, realidade virtual, gestão do conhecimento etc. Ontem, em Brasília, ocorreu o no Seminário Internacional de Banda Larga, promovido pelo IPEA e pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), onde se debateu a necessidade de criação de um plano de banda larga que resolva as questões críticas de acesso da população às novas tecnologias, o papel do governo e a responsabilidade dos provedores de serviços neste ambiente.

Embora se acredite que as linhas principais do plano de banda larga para o país sejam apresentadas após reunião com o presidente Lula, no próximo dia 24, Cezar Alvarez, coordenador dos programas de inclusão digital do governo federal, adiantou que a atuação do governo depende da participação ativa das empresas do setor. Aumentar a capacidade de oferta em banda larga e reduzir os preços dos serviços de banda larga são, segundo ele, iniciativas indissociáveis. Quanto aos recursos, começam a surgir. O principal anúncio neste sentido foi a liberação de US$ 1 bilhão do Fundo de Universalização das Telecomunicações (Fust) de um total de US$ 8 bilhões já arrecadados - e que até hoje não foram aplicados. Já o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, disse no seminário que há expectativa de investimentos de R$ 250 bilhões no setor, até 2018, o que deve aumentar o número de conectados à internet dos atuais 15 milhões para 165 milhões em 2018.

Alvarez confirmou a intenção do governo de usar os mais de 21 mil quilômetros das redes de fibra óptica das estatais, como Eletrobras, Petrobras e Eletronet. Esta malha será utilizada tanto pelo próprio governo como será compartilhada. Quanto à criação de uma estatal, que seria gerida pela Telebrás, tema há muito ventilado, Alvarez disse que esta “ainda é uma questão em aberto”. Já sobre o uso da rede de fibra óptica, seus novos usos dependem de regulamentação.

IGF 2009

No IGF 2009 ferve a discussão sobre censura e segurança de internet - questão que no Brasil também está em fase consulta, através do Marco Regulatório Civil da Internet. Uma das palestras tratou das novas implementações tecnológicas dos governos, entre elas ataques de DoS (denied of service) para paralisar servidores por um curto período de tempo. Chamou atenção dos presentes o fato de os governos usarem  DOS, ferramenta tradicional de hackers, para controlar seus servidores. Uma das razões alegadas é que usam DOS porque é difícil identificar e confirmar a origem do invasor e, assim, adotam um veneno já ministrado a eles mesmos, os servidores dos governos.

Pelo que se depreendeu das apresentações e debates sobre o tema, há uma corrida armamentista na Internet em todo o mundo. E países como a China, EUA e outras superpotências não estão, de fato, apoiando-se mutuamente contra as armas digitais. Outras constatações foram de que os pontos de troca de chamadas (IXP), como são chamados os roteadores nacionais da internet, e que checam os pedidos de mais informações sobre determinada busca, não estão sendo limitados contra  tentativas de corte  por hackers. Aparentemente, se um internauta cortar um IXP, pode obter o tráfego de um país inteiro.

Como ocorreu no IGF 2007, realizado no Rio de Janeiro, o IPv6 voltou a ser destaquena edição 2009 do evento. O novo sistema IP surgiu para salvar a todos da escassez de espaço para novos endereços, em breve em situação crítica no IPv4. A organização responsável pela alocação de IP, chamada IANA, se confronta hoje com um problema - como fazer para que as pessoas adotem e suportem o IPv6 sem ter que voltar ao IPv4, devido ao apoio deste aos sistemas antigos e novos? O IANA quer evitar a situação chamada de ”mercado negro”, onde as pessoas negociam endereços de IPv4 entre si a preços elevados, já que sua demanda é alta, devido ao limite de fornecimento de endereços IPv4.

Outra palestra tratou das redes sociais e de como elas se desenvolvem. O Twitter foi citado como ferramenta corporativa importante, seja para que as organizações falem com seus clientes ou, simplesmente, para divulgarem o conteúdo de seus sites.

Um segundo ponto importante no debate sobre as redes sociais foi a forma problemática como elas se desenvolvem e atingem de cheio a privacidade do cidadão. Por exemplo, basear o custeio das redes sociais em publicidade é uma forma de invadir a privacidade. Além disso, há outro tipo de comércio -  alguém vê a rede pessoal de um amigo mas, para tanto, quem fez a visita tem que ter sua própria rede transparente para os outros. O Marco Regulatório Civil da Internet alinhavou os direitos básicos fundamentais de intimidade e vida privada. Veja aqui  

Veja algumas palestras do IGFR 2009 no You Tube.

Veja fotos do evento no Flickr 

IV Congresso da Cibersociedade 2009

Ao apontar a fase atual do mundo como “desigualmente próspera e aparentemente equilibrada na ‘pós-guerra fria’”, o IV Congresso da Cibersociedade - que teve um dia de realização real e prossegue pelo ciberespaço afora, aponta que “os momentos de transformação típicos de uma crise abrem oportunidades; e a globalização econômica, social e cultural deixa a descoberto seus limites e efeitos adversos”.

O objetivo assim é tentar responder questões como: Quais modelos econômicos ou produtivos podem surgir amparados pela tecnologia? Quais os modelos de cidadania política e de participação sugerem os novos paradigmas sócio-tecnológicos? Que impacto tem a ciência & tecnologia nas tecnologias de informação e telecomunicações (TIC)? De que forma mudou a comunicação e a cultura na era digital?

São centenas de trabalhos apresentados (inclusive em português) no site do Congresso e debatidos na rede. Apoiado por 34 instituições   qualquer pessoa pode participar do congresso, através do Facebook e Twitter.

Entre tantas apresentações, destacamos O sentido da dissonância: valor na vida econômica, de David Stark. 

Sobre Redes Sociais no e-Thesis:

Sobre IPv6 no e-Thesis

1 Comment »

  1. […] 1) Bloteco […]

    Pingback by Contribuições em blogs (via trackbacks) » Marco Civil — December 26, 2009 @ 8:20 pm

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.

Desenvolvido por: Datamazon