Há três anos atuando no Brasil, através de distribuidoras, a Aruba Networks inaugura esta semana suas instalações no país. Além da sede, situada no Rio de Janeiro, foram abertos dois grandes escritórios em São Paulo e Brasília que já abrigam um ecossistema de 350 profissionais que trabalham direta ou indiretamente para a empresa, cuja sede está instalada em Sunnyvale, Califórnia (EUA). Os grandes investimentos previstos em infraestrutura no país, a própria situação econômica da região latino-americana e a importância que os projetos de mobilidade em TI/telecom adquirem neste cenário - onde se insere também a realização dos dois maiores Jogos Mundiais - são os fatores primários da decisão de tornar o país o ‘hub’ da empresa na América Latina, em substituição à antiga sede regional, que ficava em Miami. Alex Freitas que, por ora, acumula os cargos de gerente geral da Aruba no Brasil e de diretor da companhia para a América Latina, conversou com o e-Thesis sobre o crescimento da demanda por mobilidade corporativa na região.
A conversa foi antes do início da inauguração da sede carioca, da qual participou Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro. O recado de Bueno deu o tom do evento, quando o secretário provocou os presentes, todos oriundos das áreas de TI e telecom: “Desde que assumi a pasta peço aos representantes da indústria local de TI/telecom que me apresentem a agenda do setor para os próximos anos e até agora não recebi esta agenda. O setor de TI/Telecom local por enquanto se atém a prestar serviços no âmbito do Rio de Janeiro, quando há espaço para crescer, afinal dos US$ 120 bilhões de investimentos previstos em infraestrutura, US$ 40 bilhões são para o setor”, atentou Bueno.
O crescimento ininterrupto das vendas de dispositivos móveis em todo o mundo e, principalmente, na América Latina é sem dúvida o incentivo principal para que o setor ligado à mobilidade arregace as mangas. De acordo com o IHS Global Insight, a estimativa é que os gastos em TI alcancem no Brasil US$ 111,4 bilhões, ainda este ano, o que se traduz em desenvolvimento dos mercados verticais (estimado em US$ 60 bilhões em 2011). Com 214 milhões de assinantes de telefonia móvel, 76 milhões de usuários de internet e um número estimado de 90 mil lan houses – além das 40 milhões de linhas de telefonia fixa – a mobilidade torna-se uma necessidade, também, nas corporações.
“O fato é que ainda não temos mobilidade corporativa no país. O grande desafio, assim, é fornecer soluções que suportem o acesso pelo grande volume dos dispositivos móveis em uso, hoje, para além das redes cabeadas”, pondera Freitas. Ele reafirma a tendência de crescente mobilidade por parte dos funcionários das empresas que leva os CIOs a repensar o tipo de acesso às redes das companhias. “Hoje o conceito de home-office está em extinção. A produtividade exige que os funcionários se conectem o tempo todo e, à medida que a identificação com o espaço físico onde se processa determinada informação perde sua importância, as empresas devem estar aptas a gerar suas informações pelo celular, o tablet, o laptop e até por uma câmera fotográfica. O fato é que é precisamos estar aparelhados tecnologicamente no momento em que a comunicação e o compartilhamento se fazem necessários. Todos estes acontecimentos geram uma verdadeira tempestade nas empresas”, continua o executivo.
Freitas conta que é comum as novas levas de funcionários das novas gerações. Ao chegarem às empresas, profundamente habituados a se comunicar pelos seus dispositivos móveis, receberem do CIO um cabo azul como a chave de acesso à rede corporativa da companhia… Mas o tal cabo azul não se conecta a nenhum dos novos dispositivos de comunicação móvel… De acordo com Alex Freitas, embora não seja exclusividade do mercado local e todo o mundo engatinhe em termos de mobilidade corporativa, é hora de se planejar e instalar novas redes sem fio, com segurança, eficiência e baixo custo, uma infraestrutura wireless, enfim, que refute todas as lendas criadas pelos CIOs de que infraestrutura sem fio é intrusiva e não confiável.
O pulo do gato da Aruba para competir neste mercado foi criar uma série de soluções de mobilidade a partir do padrão IEEE 802.11, inclusive o padrão mais novo, que recebeu a letra n em sua nomenclatura. Ao se basear num padrão IP aberto, a Aruba pretende garantir ampla interoperabilidade com o mundo de redes já existente e, também, viabilizar conexão de 2.4 GHz a 5 GHz. A arquitetura MOVE criada pela Aruba Networks visa criar um ambiente seguro e eficiente para se habilitar o acesso à rede, independente da localização do usuário. O acesso é habilitado por uma série de fatores como o aparelho do usuário, sua localização e as aplicações que busca. O dispositivo de conexão à rede na arquitetura MOVE, se roubado, não contém qualquer informação importante, o que lhe dá uma vantagem, por exemplo, sobre os roteadores wireless, que abrigam toda a informação relevante do usuário.
Freitas acrescenta que em alguns mercados atendidos pela Aruba - a companhia está presente nas Américas, Europa, Oriente Médio e Região Ásia-Pacífico - o gargalo da disponibilidade de hot spot é desobstruído pela capacidade de os equipamentos trabalharem em conexão 3G e, futuramente, LTE e LTE Advanced. Isto, segundo o executivo, permite o funcionamento da rede wireless com arquitetura MOVE mesmo onde há escassez de hot spot Wi-Fi. Além disso, a Aruba é uma das principais fornecedoras de redes sem fio LAN (local area network) e WAN (wide area network) o que, segundo Freitas, garante expertise na interoperabilidade.
Quanto aos mercados a serem explorados em âmbito local e regional pelos novos escritórios da Aruba no Brasil, Freitas diz que, em princípio, eles se expandem a todo tipo de usuário corporativo em dispersão geográfica. Mas ele lembra também, que a empresa já é forte em duas áreas no mercado local, a de educação (são dez as faculdades que são clientes da empresa no país) e o financeiro. Neste último a solução está em homologação para uso no conceito de correspondentes financeiros (correios, lotéricas, lojas etc.) pelos três principais bancos com atuação no país.
Rio de Janeiro, o motivo
Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro, descreveu, durante a palestra de abertura do evento de inauguração da nova sede carioca da Aruba Networks, os principais pontos de atração econômica do Estado nos próximos anos. Ele inverteu todos os pontos supostamente negativos em positivos e mesmo o propalado esvaziamento econômico da cidade e do estado do Rio foi apontado como futura vantagem, pois áreas antes pouco utilizadas, como os portos, por exemplo, hoje podem receber uma demanda reprimida e novos negócios.
“O Rio de Janeiro tem vigor. E embora seja o terceiro menor Estado da Federação, atrás apenas de Sergipe e Alagoas, abriga o segundo maior PIB do país, ou US$ 12,3 bilhões (11,3% do PIB nacional que é de US$ 196 bilhões). São Paulo, que abriga maior PIB entre os estados é cinco vezes maior e Minas Gerais, é quase 15 vezes maior que o Rio de Janeiro. Isto significa densidade econômica, grande poder de compra, o que surge como vantagem inegável”, defendeu o secretário. Segundo dados apresentados por ele, a chamada paridade do poder de compra do mercado fluminense é de 12.630, maior que a do próprio Brasil, que é de 10.298, e está bem próximo ao poder de compra de um país inteiro, o Chile.
O secretário reconheceu a fragilidade do estado em termos de desenvolvimento de infraestrutura, mas esta está mais atrelada ao pouco uso da infraestrutura existente do que a sua falta propriamente dita. No estado, há 3 mil km de ferrovias, o que no caso de projetos petroquímicos é um forte diferencial, além dos seis portos, dos quais um, o de Açu, em construção e que tem investimentos previstos da ordem de US$ 9 bilhões. Estes fatores, segundo o secretário, torna a região fluminense comparável a outras que abrigam os grandes portos nacionais, como Paraná, Santos (SP) e Vitória (ES), “com uma diferença, nos portos fluminenses, há disponibilidade”, frisou ele.
Outro ponto desfavorável que se torna uma vantagem é a capacidade ociosa do Aeroporto do Galeão. Por estar subutilizado, o ponto tem capacidade de atrair novos investimentos. Além deste, Bueno citou o aeroporto de Cabo Frio, o primeiro aeroporto privado do Brasil.
Como não poderia deixar de ser, o secretário citou a importância do estado na área petroquímica. O Rio de Janeiro responde por 81% da produção nacional do setor e gera 1,7 milhões de barris/ano dos 2 milhões de barris/ano produzidos no Brasil. Segundo ele, com o pré-sal as perspectivas de crescimento da produção petroquímica local são importantes e tendem a multiplicar para bilhões a produção fluminense.
Após cobrar dos presentes uma agenda da indústria de TI/telecom a ser apreciada pelo governo estadual, Bueno disse que, em sua visão, a cidade do Rio de Janeiro surge como uma espécie de Houston com Barcelona, com prioridade na produção de petróleo, beleza natural e muito charme. “O Rio de Janeiro está no inconsciente coletivo da humanidade”, elogiou ele.